quarta-feira, 8 de agosto de 2018

"Até amanhã" com sabor a gelado



Cheguei à água e ela boiava naquele manso vai e vem da maré a descer. Daqui a pouco ia encalhar nas rochas, e depois quando o mar voltasse a subir será que a deixava na praia? Talvez sim, talvez não. Certo, certo naquele momento era que o meu mergulho tinha de ser rápido. Fui e vim em meia dúzia de braçadas, e outras tantas escorregadelas nos limos. E a pá estava lá. Laranja, com um ar de novinha em folha - perdão, em plástico. Agarrei nela e trouxe-a segura para terra, olhando em volta não fosse ela ter dono. Ou dona.

Ninguém se acusou. Mais meia dúzia de passos e espetei-a na areia molhada. Bem visível, não fosse o dono aparecer. Ou a dona.

Distrai-me. Passou-se bem mais de uma hora. Estava a ler e ouço atrás de mim uma voz de criança: "Olha a minha pá...". "Não sabemos, filho, pode não ser a nossa", surgiu pronta a voz masculina já eu me levantara meio. Olhei, dois rapazolas e uma menina fatos de banho iguais, irmãos (digo eu), passavam naquele instante e pararam diante do meu olhar - é provável que do meu sorriso, também.

"Acho que é. Porque fui eu quem a trouxe da água há bocado, e ainda ninguém se acusou", disse-lhes. "Acha...? É que deixamos cá a nossa há dois dias e aquela é igual", diz-me o pai olhando de soslaio para a dita. "Acho, claro, acho mesmo que é a vossa. Vão buscá-la..." E seguiram, gratos, os quatro. Só que num ápice os últimos 80 cms de gente virou-se, gelado a pingar, e fixando em mim o olhar entre o tímido e o muitooooooo doce ofereceu-me um sorridente "até amanhã...", antes de "têm-te não caias" ir aos encontro daquela que era obviamente a pá dele.

Derreti.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Descobri, Madalena!


… acho que descobri, sabes?! A razão profunda porque é que a tua partida, quando nem te conheci em vida, espoletou uma avalanche dentro e fora de mim. Emoções contraditórias, sentimentos arrasadores, e lágrimas que não cabem na minha memória, desde quando ainda nem tinhas nascido.

Acho que descobri, Madalena.
Nos últimos 15 anos da minha vida, vi muitas pessoas de palmo e meio a partir com sofrimentos inauditos. Vi muitos pais – heróis, como os teus -, agarrados a cada diminuta possibilidade de manterem viva a sua criação, a sofrerem quase sempre num imenso silêncio, a terem de suplantar uma perda anti-natura.
Raras, muito raras vezes, pude abraçar uns e outros. Tinha um trabalho, e uma responsabilidade, em que a emoção era para deixar fora das portas das três dezenas de hospitais por onde andei, com uma legião de homens e de mulheres de boa vontade. O de Coimbra foi dos primeiros, sabes?!

Acho que descobri, Madalena.
Tenho, de igual modo, no mesmo tempo, no mesmo espaço, o imenso privilégio, a infinita bênção, de conhecer meninas e meninos que quais Ronaldos desta vida “fintaram Deus”, e não partiram quando Ele achava que tinha de ser. Ficaram para semear mais esperança, mais força, mais amor e gratidão –  sentimentos que ontem o teu pai transformou em palavras. Uns partiram depois, no seu tempo. Outros fincaram pé e alguns ainda me dão a honra de partilhar o resto do caminho com eles.

 [Recebeste o recado em P.S. sobre a Inês “dos nãos”? Olha, enviou-me outro ontem, assim: “Amanhã vou estar na piscina, e vou nadar com a minha mão direita e esquerda.” Parei o carro para lhe responder: “Fazes o favor de me enviar um pequenino filme?! Diz à mãe.” E logo à frente tirei para vocês as duas a fotografia possível de um sol lindo, amarelo suave, em fim de dia].

Descobri, Madalena!
Chama-se Alexandre, o padre. Perguntei a uma jovem ao meu lado, que deixava rolar  as lágrimas quatro a quatro. Ontem, o Pe. Alexandre convidou os teus pais e irmã, para levarem as muitas dezenas de pessoas em Oração ao Anjo da Guarda - tu, garantiu: “Anjo da Guarda/ Minha Companhia/Guardai a Minha Alma /De Noite e de Dia”. No fim, arrastou-nos numa imensa ovação. Uns longos segundos de palmas, que pareceram muitos minutos. Igual a sexta-feira.

“Somos um”, voltou ele a insistir. Um, juntos. Um, com Deus. Para terminar evocando Sta. Teresinha: “Não é a morte que virá buscar-me, é Deus.”

Voltei a casa de coração transbordante outra vez e ainda mais: com longos e muito fortes abraços da tua mãe, do teu pai, do teu avô… colados à alma. Tudo porque tu existes. Até já.



domingo, 5 de agosto de 2018

Conseguiste, Madalena!

É meio-dia, e não saio da penumbra do quarto. Os estores corridos. Lá fora a temperatura continua a subir, a caminho dos 43º dos últimos dias, aqui. Escrever não sei o quê não me sai do coração. Desde quarta-feira. Quarta-feira, 1 de Agosto, a notícia fez explodir em mim bem mais de uma década de recato – a Joana vai ajudar a perceber.

Não te conhecia. Não sabia o teu nome. Ouvi a notícia no Jornal da Noite, na véspera, entre uma enxurrada de outras, lidas como se a vida fosse uma desgraça pegada. Tenho carteira de jornalista há 37 anos, mas optar por não exercer há 15 faz cada vez mais sentido. Não poderia ser um destes arautos do infortúnio. Banalizar o horror.

Na quinta-feira, no Club onde trabalha o teu pai, as caras estavam fechadas, o silêncio era imenso, romperam-se normas com a verdade e serenidade de que há valores intransponíveis. O da vida. O da solidariedade. Iniciámos a aula de Total Condicionamento com um minuto de silêncio, por ti e para ti. Contigo. E toda a prática foi sem música.

Sabia lá eu onde era a igreja de Queijas. Cheguei em 10 minutos, depois de noutro tanto surpreender a D. Leonor celebrando os seus 99 anos. Levei-te o girassol. Já estavas rodeada de centenas deles, cada um mais bonito que o outro. Senti-te serena, num sono de quem cumpriu a caminhada com louvor.

Nunca vi nada assim, excepto com aquelas pessoas que têm vidas mais ou menos longas, mais ou menos públicas. Tu tinhas 10 anos. Jogavas basquete. Ias à escola. Eras escuteira. A filha mais nova do Marco e da Susana. A irmã da Daniela. Na partida, foste acompanhada por milhares de pessoas, num hino à vida.

Voltei à igreja na sexta, pelas 10. Guardarei para sempre o jovem escuteiro, que apanhado pelo choro não conseguiu terminar a Leitura, concluída com firmeza pela camarada ao lado. Curvo-me diante do padre que assentou a homília no XXI capítulo d’ “O Principezinho”, e cuja voz embargada deu lugar a lágrimas. Limpo o rosto com as duas mãos, a humana confissão do mensageiro do Senhor: "Nenhum de nós devia estar aqui, agora.”

Faltam-me todas as palavras para a Susana, mãe-coragem, que suplicou com a insistência daquela que talvez seja a maior dor do mundo: "Vamos ser felizes! Prometam-me...", olhando acintosamente para os companheiros escutas, em particular para os que resgataram a filha ao rio.
Os nossos corpos “estoiravam” ao sol de meio-dia, mas do cemitério ninguém arredava pé. A avioneta cruzava o Céu em círculos [“Muito obrigada por tudo, Madalena. Até já”], e as dezenas de balões brancos mais o golfinho azul desapareciam lá no alto, enquanto soavam as tuas músicas preferidas.

“Um dia vou conseguir abraçar o Sol”, dizias. Concordo com o padre “do outro mundo”, cujo nome ainda não sei: conseguiste! Estás nos braços de Deus. Ele é o Sol.

E eu reconciliei-me com a Igreja Católica, quase 50 anos depois. Obrigada, Madalena! Até já.
Baléu
P.S. - Vais gostar de saber: a Inês "dos nãos" conseguiu fazer dois desenhos com a mão direita, e enviou-me agora por whatsapp.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Arco-íris de fogo, inesperada bênção


Não há coincidências. É minha convicção adquirida pela experiência e reflexão. Reentrei no meu blog hoje, a reboque da resposta a um email (tenho-o na assinatura do meu endereço privado), porque sim... Do tipo, "deixa cá ver o que é que terei lá escrito da última vez". Oops... vai a caminho dos 3 anos essa última vez. Para dizer uma coisa que não cumpri: que ia voltar. Não aconteceu. Talvez para dar mais um bocadinho de espaço às muitas outras coisas que aconteceram fora do mundo virtual. Três anos cheios como um ovo. Estou mais rica, mais forte, mais confiante, mais serena, muito mais acompanhada (ainda). Se calhar, é por tudo isso, que no sábado passado, dia 10, de Portugal e das Comunidades, ao chegar a casa, depois de uma manhã bem feliz, olhei para o céu, e fui abençoada com a visão de um "arco-irís de fogo" (também chamado "arco circunhorizontal"), fenómeno raro, que nunca tinha visto, nem sabia que existia. E o que é? Trata-se da refracção dos raios de sol nos cristais de gelo, que ocorre quando o sol está no alto do céu e a luz passa através de uma nuvem diáfana tipo cirrus de grande altitude feita de cristais hexagonais. A Luz entra na face vertical é refratada, e separada no conjunto das cores visíveis. Quando a face dos cristais está perfeitamente alinhada em paralelo com o solo, o resultado é um espectro brilhante de cores que se parecem com um arco-íris. Aprendi mais uma coisa, a coroar uma manhã cheia de emoções, e ganhei mais um momento espiritualmente marcante. Acho que agora, sim, é bem possível que esteja de volta. Até já.

sábado, 10 de agosto de 2013

domingo, 26 de junho de 2011

Em cena: eu, Olga, me confesso...

Se há quatro meses me dissessem, que viria a fazer um curso de Teatro, podem ter a certeza que "juraria a pés juntos" que estava tudo louco! Mas como bem se sabe "elas caem-nos todas em cima" - elas, as coisas que "somos capazes de jurar" que "nem que a vaca tussa..."
Nããããã, também não era assim, só que nunca me imaginaria a pôr os pés do lado de dentro (já enquanto jornalista palmilhei "muitos bastidores"...).
A verdade é que as voltas da vida levaram-me à ACT-Escola de Actores para uma conversa fantástica com a Patrícia Vasconcelos e Elsa Valentim.
Passadas poucas semanas,"tungas"... lá estava eu a confrontar-me com os meus "mais de 45", num Curso de Iniciação ao Teatro onde se juntou um grupo dentro dessa faixa etária, com vontade de esgravatar nas coisas da vida. Desde Abril até agora, Marta Fernandes, jovem actriz e professora de Teatro, e outras seis aventureiras com "mais de 45" e as mais díspares profissões e experiências fizeram o favor de engrandecer os meus sábados e o meu universo interior - tão mais enriquecido, agora...
Mas acabou-se - por enquanto, pelo menos. Ontem, abrimos a última aula para mostrarmos a alguns dos nossos os exercícios que estavamos a fazer com textos retirados da "Avalanche" (Ana Bola) e de "As Três Irmãs" (Anton Tchekhov). Durante três dias fui Olga, a mais velha do trio moscovita do início do século passado, e tive a alegria de contracenar com a Joana, na pele de Irina, e a Isabel, como Macha. Que delícia!
Quero aqui deixar um imenso obrigada a todas, em particular à Marta, pela paciência, sabedoria, sensibilidade e entusiasmo, e às minhas "irmãs" Joana (com quem passei horas de grande empenho em empatia à roda do texto), e Isabel. Mas não esqueço a Rosário, a Myriam, a Carmo e a Zélia (cuja paixão pelo Teatro a fez viajar todos os fins de semana do Algarve para estas aulas).
Vai fazer-me falta ir a caminho da LX Factory ao sábado cedinho, para aprender retalhos dessa Arte maior. Diverti-me muito, muito, mesmo quando era mais difícil sair "dos meus espartilhos", ou até por isso, afinal.
Finalmente, quero agradecer acima de tudo a um dos meus maiores anjos da guarda que me guiou para este passo...

domingo, 29 de maio de 2011

É realmente uma sorte...

...ter uma família grande com a coragem de se desmultiplicar, mesmo quando os tempos não estão fáceis.
Apresento-vos a Carlota, que nasceu no dia 16 de Maio, às 17:25, no Hospital do SAMS, em Lisboa, com 2700 grs. É a minha segunda sobrinha neta. Na foto podem ver-nos às três: eu a Carlota e a Carolina, a mais velha.
Tal como a irmã, pertence à quarta geração dos Sousas, por isso só pode ser "muito prá frente". Quando um bebé nasce, e sobretudo se é do nosso sangue, (re)abre-se todo um mundo de esperança, fé, alegria... vontade de vencer. E tê-la nos braços, com apenas um dia de vida, é um privilégio e uma enorme alegria. Dá vontade de não largar... Estou tããooo orgulhosa da minha família!

domingo, 8 de maio de 2011

Orgulho sem preconceito



É verdade que esperei até aos 50 anos para ter um afilhado de baptismo, mas não é menos verdade que chegada a hora me saiu um verdadeiramente cinco estrelas: o Manuel, meu oitavo sobrinho, é um "pintarolas do caraças", é "pachola" mas não se dá às primeiras, observa atento, vai cedendo uns sorrisos, distribui olhares cúmplices quando lhe apetece, franze a testa por vezes como quem tenta perceber a multiplicidade de comunicações com que tentamos chegar a ele, e quando decide (sim, quando decide) desata num "palreio" desenfreado, e não há quem consiga acompanhá-lo... A juntar a isto, aos quase sete meses é tal e qual "um bebé Nestlé", ou não é?!

Passos e abraços...

Hoje foi bem divertido! Domingo, 07:30 da manhã, levanto-me para uma caminhada muito diferente: uma hora mais tarde junto-me à equipa do meu Clube - o Holmes Place Quinta da Fonte -, e vestidos a rigor, das t-shirts aos sorrisos, lá fomos para a Praia da Torre onde às dez se deu início aos "10.000 passos" na marginal, dali até Caxias e volta - uma iniciativa da Câmara de Oeiras. Fomos muitos num mar de gente, e o Sol sempre presente... No palco montado junto à Carruagem, a manhã terminou com uma aula de dança a um ritmo tal que decidi acompanhar apenas com o clic da minha máquina fotográfica... Fui estreante e gostei! Um beijinho à Isabel da equipa HP que me desafiou, estimulou e me trata sempre com tanto carinho.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Tásse... Faz sentido?!"

Dizias-me há dez dias: "Eu vou ficar boa para [...] para ir contigo à praia." Foste-te embora na sexta-feira Santa e ficaste bem melhor, querida. Ontem, domingo de Páscoa, renasceste. E hoje, Bélinha, esticamo-nos na areia e demos o primeiro mergulho deste ano, aqui em S. Pedro, sob um Sol suave...
Estivemos envolvidas nas boas energias da Natureza que tu tanto amavas e defendias, no mesmo dia em que te vamos fazer uma homenagem muito especial...
E no Dia da Liberdade... "faz sentido" ?! (roubo-te a interrogação retórica...) Faz sentido, claro, porque tu regeste os teus dias por padrões de justiça e de solidariedade. Rezinguenta que se farta, mas um dos maiores corações que eu já conheci na vida...
Eras tão inconformista na vontade de assistir a um mundo melhor que, contava ontem a tua mãe, quinta-feira no hospital proclamavas que "os enfermeiros deviam ser mais bem pagos", e dois dias depois estavamos entre amigos a recordar a tua "vocação de casamenteira"... Eis duas faces da tua forma de estar na vida: a reivindicar e a fazer os outros felizes.
Fizeste do amor ao próximo a tua maior bandeira!
Vamos todos continuar essa tua caminhada, querida.
Deixaste muitas sementes!
Andei louca à procura de uma fotografia que te tirei na praia do Meco há mais de uma dúzia de anos, mas... estas memórias têm que ser mais bem arrumadas :-(. Resolvi, então, publicar esta que data de 8 de Janeiro deste ano - gostavas pouco do olhar da máquina, mesmo assim ilustraste um "tásse" de surfista que te era tão característico. Foi mesmo "à bocadinho"...
Querida Bélinha, obrigada! Até já.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Regressei ao ginásio, yeah!


Ontem foi um dia mesmo importante: regressei ao ginásio, após nove meses de interregno forçado. Ah que saudades eu tinha, "da minha alegre casinha"! Muito receei eu este regresso, mas preparei-me de tal maneira, que quase nem dei pelo que já não posso fazer e atirei-me ao que posso, a "bombar" que nem uma maluca durante uma hora. Foi bom que se farta. E foi muito bom, mesmo, rever e cumprimentar algumas das pessoas que ali trabalham, tanto me mimaram durante esta ausência e fizeram com que o meu regresso ficasse bem marcado por um presente inesquecível - oferecido nos meus anos. Bom, não posso negar uma ligeira "sombra" causada por nunca mais poder usufruir "da cereja no topo do bolo": aqueles maravilhosos 15 mns de banho turco com que terminava cada treino. Acabou-se o que era bom, mas o certo é que estou de volta à minha actividade física regular, e isso é que é mesmo fantástico!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Primeiro caminhada de 2011


O paredão de Cascais teve grandes responsabilidades na minha vida, ao longo dos últimos nove meses do ano passado. Lá fiz muitas e grandes caminhadas, quando era o único exercício que podia fazer, lá (na Azarujinha) mergulhei no mar quando já só podia fazê-lo bem ao fim da tarde, lá me enchi de luz, quando já não podia apanhar Sol, lá partilhei intimidades e reforcei cumplicidades, lá renovei energias... E como o primeiro dia de 2011 foi abençoado por uma maravilhosa manhã de Sol, vesti o fato de treino e eis que fui prestar homenagem: fazer a minha primeira caminhada do ano, bastante salpicada por gotas de água salgada, de um mar bem vivo!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um hino... à confiança!


Logo às 12 badaladas ergo o meu copo (desta vez com espumante), e num único gesto vou manifestar a minha gratidão por 2010 e a minha confiança em 2011. Este ano que agora acaba é todo ele, para mim, um hino à Vida e às pessoas... Um hino à minha mãe, grande Mulher, que corajosamente enfrentou logo ao princípio uma prova terrível, e meses mais tarde editou o seu segundo livro de poesia! Um hino aos profissionais de saúde do IPO que me trataram como uma princesa! Um hino à Alda e à Margarida que foram de uma dedicação quase improvável. Um hino à minha família, amigos, colegas... inesquecíveis na força constante que me deram. Um hino ao meu sobrinho-afilhado nascido "Balança" como eu. Um hino a todas as surpresas que a vida nos reserva, para melhor aprendermos a vivê-la e a saboreá-la. Um hino a valores supremos como a Gratidão, a Humildade e a Dedicação. Um hino... ao reencontro comigo própria. E que todas as surpresas que aparecerem em 2011, sejam encaradas como parte da caminhada, com positivismo e confiança num futuro que será tanto melhor quanto maior for a nossa capacidade de aceitação... A todos os que amo e sem quem a minha Vida não faria sentido: OBRIGADA! E que vivamos o novo ano juntos em harmonia, com coragem, com alegria, e... muita FÉ!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Não há longe, nem distância...

... assim é o título do clássico de Richard Bach, que homenageia as amizades que não dependem do tempo, nem do espaço. Lembrei-me da obra, porque é disso que trata este reencontro: não via a Liginha há uns cinco anos, pelo menos, e eis que me aparece caída do céu há poucos dias. Ela foi o meu braço direito e esquerdo de uma revista lançada em 1992, e que chefiei durante uns anos. Depois quis mudar a vida, e mudou-a toda mesmo. Casou, passados uns meses emigrou para o Canadá (processo que estudou meticulosamente), e aí se fez aos novos caminhos com garra e determinação. Nascida para vencer, venceu! O trabalho na empresa própria tem-na impedida de vir, mas agora... ei-la que conseguiu duas semanas para andar numa reviravolta pelos amigos e pela família - dividindo-se por vários locais do Continente e Funchal/Madeira. Calhou-me em sorte um final de tarde e um almoço numa esplanada de praia à sombra. Foi um dia tão feliz, mas tão feliz para mim que queria deixar aqui o registo, com uma enorme dose de gratidão!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Nos Olhos..." de Ana Daniel

Ana Daniel (pseudónimo de Maria de Lourdes Canellas d'Assunção Sousa) lançou o seu segundo livro de poesia, Nos Olhos das Madrugadas, 40 anos depois do primeiro, Momento Vivo (1971). Foi sábado, dia 19, pelas 18:00, no Palácio de Valenças, em Sintra. A cerimónia contou com a presença de 150 convidados, e foi apresentada por Fernando Sousa. A flautista Cláudia Coelho, interpretou dois andamentos antes de a poetisa Luísa Barreto encantar a plateia com os seus comentários sobre a obra da autora. A Luís Cristovão, da Arbusto Editores, coube uma nota final sobre as razões que o levaram a editar Nos Olhos das Madrugadas.


Quero

Quero o cinzeiro antigo
E a caixa de Pandora
E a cor de fumo do vestido que vesti
No dia em que fui contigo espreitar a hora...

Quero dar passos atrás, sorrindo de querer
Coisas sem sentido
Nos tempos do tempo, nas sombras da hora...
Quero
Que os ramos sacudam na minha janela
Toadas de tudo, toadas de nada
Flor amarela da minha alvorada.

Quero pingos de amor
Migalhas confetis e chuvas de cor
Sem tempo contado...
Quero o despertar contigo a meu lado
Quero chuva, quero vento, quero sol
Trancada em fita de laço
Tão longe do mundo - só no teu abraço!


O livro pode ser comprado pela internet em http://www.livrododia.com.pt/ e na Livraria Livro do Dia em Torres Vedras, mas também poderá encomendá-lo por telefone (261338924) ou através do endereço electrónico mail@livrododia.com.pt. Em breve também nos escaparates das FNAC - onde poderá proceder desde já à sua encomenda dizendo que é da Arbusto Editores.








domingo, 13 de junho de 2010

Foi mesmo verdade...

... mas ainda me parece mentira. Um dos meus maiores anjos da guarda fez-me uma surpresa de cair para a banda: meteu-me num avião, consigo, rumo à Praia do Forte, S. Salvador da Baía/Brasil, e durante oito suaves e lindos dias "empaturrou-me" de mimo, cuidados, atenção e coisas bonitas. Sinto-me naquele país como em casa. E regressei com as reservas cheias para enfrentar seja lá o que for que os próximos tempos me tragam. Uma surpresa preparada com minúcia e a inevitável cumplicidade de um meu outro maior e extremoso anjo da guarda, bem como do mago que me transformou nos últimos dois meses. Três palavras de ordem: cerveja Antártica, bolinho de bacalhau e macaxeira frita - para coroar os bons-dias dos micos, o cantar dos inúmeros pássaros, o silêncio doce do rio, o som energético do mar, o pôr-do-sol e o arco-irís, os meninos a brincar à beira-mar ou saltitantes na batucada, uma varanda mágica, cumplicidades infinitas, doce tranquilidade de ser e de estar... Obrigada.
Seguem-se vários testemunhos que quero partilhar convosco:



Supercalifragilistiexpialidocious!
[de repente dei-me conta: a primeira operação... faz hoje dois meses. Uff... já foi tanto caminho e ainda só vai a um quarto...]

terça-feira, 11 de maio de 2010

Benfiiiiccccaaaaaa!!!!!!!!!!! CAMPEÃO!

Ehehehehe... Há lá coisa melhor do que passar uma tarde entre amigas e papeladas de IRS com uma emocionante final de futebol pelo meio. Pois é... em frente ao computador eu e a Tuxa sofremos imenso para conseguir ver o Benfica ganhar este campeonato, a Alda, por outro lado, estava deserta para nos tirar a fotografia certa a documentar o momento. Conseguiu!

À segunda, foi só rir...

A verdade é que ser operada duas vezes num mês, é dose. Por isso, à segunda já me sentia "uma pro". Vai daí, antes e depois houve muita risada, com a cumplicidade da Alda e da Rida, a minha guarda de honra, os meus dois anjos da guarda que nunca arredaram pé, das duas vezes, do primeiro ao último minuto. Uma das foto documenta um facto inédito: eu a mascar pastilha elástica à saída do recobro :-), garantiu-me a enfermeira que tal nunca tinha acontecido... Pois, então!


domingo, 11 de abril de 2010

Abril, carícias mil :-)

Sol... mar... praia... calor... suave brisa... tudo em Abril e tudo na baía dos primeiros anos da minha primeira infância em S. Martinho do Porto. [Na água gelada o meu corpo sentiu-se contente e o espírito também,tanto!] Já desapareceram algumas das mais importantes referências, mas ainda há aqui muitas coisas que me fazem bem à alma e me aquecem o coração. A dois dias de enfrentar mais uma dura batalha... era disto que precisava. Obrigada...

sábado, 10 de abril de 2010

Apesar de tudo...

... S. Martinho do Porto conserva a mesma luz, mas deram cabo disto tudo. Até há 44 anos passava aqui os Verões, regressei há 15 e a "minha" casa ainda aqui estava, tomava-se banho na baía, não era preciso dar a volta acima do miradouro para ir ao cais, iamos directas pela marginal que tinha dois sentidos... Cimento como no Algarve, empregadas que só falam inglês, vivendas lindas todas despedaçadas... Não esperava. Mas a luz é a mesma, sim... Apesar de tudo é bom regressar a S. Martinho onde a vida foi mesmo leve e suave e alegre, com barquilhos de doce de ovos e barracas de praia às riscas.